A DIMENSÃO UTÓPICA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DIANTE DA COMPLEXA REALIDADE DO MUNDO EM TEMPOS DE GUERRA
Questão 1 do CACD 2026, Língua Portuguesa. Questão discursiva. Resolva aqui: a correção vem na hora, com gabarito e comentário.
Assim como na alma humana raia o ainda-não-consciente que antes nunca havia sido consciente, assim raia no mundo algo ainda-não-originado: na dianteira do processo e da totalidade do mundo, encontra-se essa frente e essa vasta categoria, ainda tão pouco compreendida, do novo. Seus conteúdos não são simplesmente os não manifestos, mas os não decididos; despontam na mera possibilidade real, trazem em si o perigo de um possível desastre, mas também a esperança da possível felicidade, ainda não comprometida e capaz de ser decidida por seres humanos. A tal ponto se estende a utopia. Com tanto vigor essa matéria-prima se comunica a todas as atividades humanas, de forma tão essencial precisa estar contida em todo o conhecimento do ser humano e do mundo. Não existe nenhum realismo que o seria se abstraísse desse elemento mais forte na realidade, como realidade inconclusa.
A reflexão sobre a temática das relações internacionais está presente desde os pensadores da Antiguidade grega, como é o caso de Tucídides. Igualmente, obras como Utopia, de Thomas More, e os escritos de Maquiavel, Hobbes e Montesquieu requerem, para sua melhor compreensão, uma leitura sob a ótica mais ampla das relações entre estados e povos. No mundo moderno, como é sabido, a disciplina Relações Internacionais surgiu após a Primeira Guerra Mundial e, desde então, experimentou notável desenvolvimento, transformando-se em matéria indispensável para o entendimento do cenário atual. Assim sendo, as relações internacionais constituem área essencial do conhecimento que é, ao mesmo tempo, antiga, moderna e contemporânea.
Quando pensamos o estrangeiro, o outro, podemos reduzir nossas relações com ele a dois “extremos”, que, apesar disso, não são antitéticos: a paz e a guerra. A partir daí, é possível delinear uma missão, um sentido ético e moral para o internacionalista que o faça emergir dos ofícios ordinários e o coloque junto das “profissões superiores”. Mas qual seria a missão ética e moral do internacionalista? Seria ela alcançável? Assim como um médico assume com o juramento de Hipócrates promover a saúde em detrimento da enfermidade, o advogado, promover a justiça, o político, realizar o bem comum para o seu demos, o filósofo, buscar a verdade, o internacionalista buscará a coexistência pacífica entre as nações. É provável que essa missão nunca se realize em sua plenitude, assim como é de se esperar que não o seja o objetivo do médico, do advogado, do político e do filósofo. Mas ela confere ao internacionalista uma motivação, um significado maior do qual o seu espírito se alimentará quando acreditar que as tribulações de sua profissão são invencíveis.
Redação
Considerando que os fragmentos de texto apresentados têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca do tema a seguir.
A DIMENSÃO UTÓPICA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DIANTE DA COMPLEXA REALIDADE DO MUNDO EM TEMPOS DE GUERRA
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