Questões do CACD · Língua Francesa · Questão 2 · CACD 2018

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Questão 2 do CACD 2018, Língua Francesa. Questão discursiva. Resolva aqui: a correção vem na hora, com gabarito e comentário.

ConcursoCACD
Ano2018
MatériaFRA
Questão discursiva

Questão discursiva · a resposta escrita é corrigida na Falcon.
CACD 2018
João Guimarães Rosa: diplomacia e política

Ao perseguirmos a especificidade da atuação de João Guimarães Rosa como diplomata, deparamos, de imediato, este desligamento, que ele expressivamente opera, entre o diplomata e o político. Desligamento problemático, porquanto a carreira de diplomata é, em essência, uma atividade política.

Como e por que Guimarães Rosa opera esta separação?

Como consegue fazê-lo, tendo estado em situações — Cônsul em Hamburgo de 1938 a 1942 —, em que a totalidade da vida, em seus aspectos privados e públicos, estava dominada pelo político? O próprio Guimarães Rosa descreve este domínio avassalador do político na Alemanha nazista, em seu conto O Mau Humor de Wotan. Nesse conto, fica claro o totalitarismo, a tirania da política na vida da Alemanha, penetrando os rincões mais escondidos da vida da população. É a esse totalitarismo que ele se refere quando diz a Lorenz, que lhe perguntara sobre sua atividade em Hamburgo em favor dos judeus perseguidos pelo Nazismo, “eu, o homem do sertão, não posso presenciar injustiças”. A tirania do político é, para ele, injustiça.

Ainda aqui encontramos a concepção platônica da justiça — harmonia dos elementos naturais de um todo, sem excesso de nenhum sobre os outros, sem tirania de um sobre os outros. Nessas condições, a atividade de Guimarães Rosa no Consulado-Geral em Hamburgo, em favor dos judeus perseguidos, seria um exemplo, não de ação política, pois ação política era o Nazismo, mas sim de ação diplomática. Nesse caso específico, portanto, é possível compreender como e porque Guimarães Rosa separa diplomacia e política: em condições em que nada escapava ao totalitarismo da política, era preciso desvincular-se dela, custasse o que custasse, abrir uma brecha no seu muro espesso e sufocante, na injustiça — na hybris — da política, que se manifestava, precisamente, nesse totalitarismo, nesta ocupação de todo o espaço vital do homem. Essa parece ter sido a razão da necessidade de se operar a separação entre diplomacia e política: razão de justiça.

Heloísa Vilhena de Araújo. Guimarães Rosa: diplomata. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2007, p. 35-6.

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02
CACD 2018Discursiva
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