Questões do CACD · Língua Francesa · Questão 2 · CACD 2020

Elaborez une version en français du texte présenté.

Questão 2 do CACD 2020, Língua Francesa. Questão discursiva. Resolva aqui: a correção vem na hora, com gabarito e comentário.

ConcursoCACD
Ano2020
MatériaFRA
Questão discursiva

Questão discursiva · a resposta escrita é corrigida na Falcon.
CACD 2020
A tradução na Península Ibérica

De maneira geral, podemos dizer que a tradução na Idade Média se preocupou com a transmissão da ciência antiga. Dos séculos VIII a X, houve um grande movimento tradutório na região de Bagdá, incentivado pela recém-chegada ao poder dinastia abássida. Sua principal característica foi a de verter para o árabe quase todas as obras gregas, contando com total apoio e patrocínio das elites. Para muitos (Gutas, 1998; Salama-Carr, 1990; Montgomery, 2000), esse acontecimento é de importância fundamental na história do pensamento.

Enquanto isso, excetuando-se a Península moura, o acesso do mundo ocidental à ciência grega, em particular nos séculos VIII e IX (quando o conhecimento da língua grega já declinara bastante), restringia-se aos manuais e comentários compilados alguns séculos antes pelos enciclopedistas latinos. No século X, entretanto, isso começou a mudar: alguns textos sobre o uso do astrolábio e outros assuntos foram traduzidos do árabe para o latim no sul da França, em decorrência do contato com os moçárabes da Espanha. Diversas traduções, do árabe para o latim, de obras sobre geometria e instrumentos astronômicos já eram feitas nessa época no Mosteiro de Santa Maria de Rípoli, no nordeste da Espanha (Grant, 1977: 13-15), que era ao mesmo tempo biblioteca e centro cultural. O interesse pela ciência árabe se percebe também nas diversas viagens e escritos do professor de música e matemática Gerbert de Aurillac, que se torna, a partir de 1003, o papa Silvestre II. Ele adquiriu alguns tratados árabes que foram traduzidos para o latim.

Apesar desses movimentos pontuais, o grande episódio de tradução na Espanha só começa mesmo em meados do século XI e se estende até o XIII, inserido num contexto de efervescência cultural que, para muitos historiadores, foi como um Renascimento. Segundo Grant (1977; 14-16), do ponto de vista da história da ciência, só ocorreu algo semelhante, como já mencionamos, nos séculos VIII - X, com as traduções do grego para o árabe em Bagdá. Outro fator importante nesse contexto é o advento das universidades europeias (século XII) e das referências cada vez mais frequentes a tratados em grego ou árabe que só eram conhecidos pelo título, isto quando não eram totalmente desconhecidos. Os acadêmicos europeus começaram a se movimentar para ter acesso à herança intelectual do passado. Essas traduções do árabe e do grego para o latim atenderam à demanda por um novo tipo de conhecimento por parte dos próprios eruditos, que não queriam mais somente transmitir o que já conheciam, mas também aprender coisas novas (Gutas, 1998: 4).

A Espanha destacou-se nesse cenário, produzindo vários polos tradutórios, dos quais destacaremos três. O primeiro, centrado no século XII, caracterizou-se por um grande afluxo de traduções para o latim (tanto do árabe quanto do grego e também do hebraico), patrocinadas em grande medida pela Igreja e tendo como público-alvo os próprios eruditos cristãos. O segundo pode ser associado ao grupo de trabalho em torno do filósofo, jurista e médico Averróis (1126-1198), que traduzia do grego para o árabe, revisava traduções prévias e, principalmente, fazia comentários – Averróis entrou para a história da filosofia ocidental como ‘‘o comentador’’– em busca de um novo horizonte de compreensão para a obra de Aristóteles. Inicialmente, houve apoio do califa de Córdoba, de quem Averróis cuidava e era conselheiro, mas suas opiniões acabaram atraindo suspeitas; ele se tornou persona non grata, teve seus livros queimados e caiu no ostracismo.

Por fim, o terceiro polo, já no século XIII, teve como figura de destaque o rei de Leão e Castela, Afonso X, o sábio (1221- 1284), que patrocinou não só traduções do árabe para o castelhano, mas a pesquisa científica de maneira geral, a história e as artes. Decerto que não se visava propriamente um amplo público castelhano, até porque a maioria das pessoas era iletrada.

MACHADO, Cristina de Amorim; MARTINS, Marcia A. P. Revendo o cânone hegemônico da história das teorias de tradução: o pioneirismo de D.Duarte, Rei de Portugal, 1996.

Version

Elaborez une version en français du texte présenté.

02
CACD 2020Discursiva
Resposta escrita, em até 70 linhas. Na Falcon, você escreve e recebe a correção com os critérios da banca.
§ 01 · Continuar

Continuar

Gabarito e comentário do professor

Como visitante, você corrige 3 questões por dia aqui mesmo. Com a conta gratuita, 10 por dia, com o comentário do professor e o seu desempenho guardado. Com o curso, o Banco inteiro.

§ 02 · Tópicos do edital

Tópicos do edital

A classificação é da Falcon: cada chip leva às questões do mesmo tópico.

§ 03 · Questões relacionadas

Questões relacionadas

Mesma matéria e mesmos tópicos do edital.

Enunciado e itens reproduzidos da prova pública do concurso, para estudo. Todas as questões de Língua Francesa · Questões por matéria.