Ainda que encerre críticas à história da emancipação da escravatura no País, o texto reconhece a importância da herança deixada por esse momento histórico à nação, como aquela que se observa, por exemplo, no manejo da lavoura, mencionada no segundo parágrafo.
Ainda que encerre críticas à história da emancipação da escravatura no País, o texto reconhece a importância da…
Questão 5 do CACD 2020, Língua Portuguesa. Certo ou Errado · 4 itens. Resolva aqui: a correção vem na hora, com gabarito e comentário.
Texto 3 para responder às questões de 5 a 7.
1 É a história da emancipação da escravatura entre nós.
Outrora a escravidão pareceria fadada à perpetuidade neste
País. Falar em extingui-la seria uma blasfêmia. Fizeram-na
4 esposar a lavoura, cuidando uni-las para sempre. A nação tinha
edificado a sua fortuna sobre um crime, consagrando-o nos
seus códigos como uma necessidade social.
7 Hoje o princípio emancipador, difundido pela civilização,
lavrou por toda a parte.
Na Europa e na América desapareceu a escravidão.
10 Só nós alimentamos no seio esta ignomínia.
A pressão formidável das ideias cresce de dia para dia em
volta de nós como um oceano prenhe de tempestades.
13 No meio de tudo isto o que fez o governo? Nada;
absolutamente nada!
A fala do trono de 1869 é uma vergonha indelével. O Sr.
16 D. Pedro II que, em 1867 e em 1868, havia proclamado
solenemente a urgência da reforma abolicionista, que tinha
celebrado compromissos públicos com o País e com a Europa,
19 que alardeava de todo modo tendências humanitárias, vem
rasgar aos olhos do mundo o único título meritório com que até
hoje podia ufanar-se o despotismo de sua autoridade retratando
22 com o silêncio todas as suas promessas para envolver-se em
uma abstenção misteriosa e injustificável.
E ainda há quem diga que a emancipação neste País não é
25 questão de partidos!
Sim, não devia sê-lo.
Mas a índole mesquinha de nossa política tem convertido
28 esse reclamo da consciência nacional em arma de hostilidades.
Algum dia, quando a liberdade não for mais o privilégio
dos brancos no Brasil, quando a posteridade examinar os
31 nossos feitos com o facho da História na mão, a justiça dos
vindouros há de gravar na memória do Partido Conservador o
estigma da reprovação eterna, porque ele sacrificou aos
34 interesses momentâneos do poder o interesse imorredouro da
verdade; aos cálculos estéreis do egoísmo as necessidades
imperiosas do futuro, e à pequenhez das considerações pessoais
37 os direitos inalienáveis de uma raça escravizada.
Não protesteis! Se a emancipação, em 1867 e em 1868,
era tão urgente, que o imperador a mandava estudar pelo
40 conselho d’Estado, e a consignava nos discursos da coroa como
a necessidade capital do País, invocando para ela a reflexão do
parlamento, como é que de um ano para o outro esta
43 necessidade urgente e imediata torna-se tão secundária, tão
indiferente, tão remota que nem sequer merece ser mencionada
na fala do trono?
46 Felizmente, porém, há um preceito e um fato de
observação que nos animam.
O primeiro é que, desde que a verdade chega a
49 amadurecer com os acontecimentos, cada embaraço com que
trabalhamos por contrariá-la é um acréscimo de força para a sua
multiplicação.
52 O segundo é o imponente movimento do espírito nacional
que se vai formando lentamente no País.
A servidão em que temos vivido até hoje, a ausência
55 completa de animação política do País, tem-nos habituado a
desdenhar esses fatos, que, sob a modéstia de suas feições,
57 ocultam graves sistemas de regeneração pública.
BARBOSA, Ruy (2013-11-06T22:58:59). Obras de Ruy Barbosa. Biblioteca Digital. Edição do Kindle, com adaptações.
Considerando as ideias contidas no texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
O termo “fala”, na expressão “fala do trono de 1869” (linha 15), faz referência, de forma crítica, ao “silêncio” (linha 22) e à “abstenção” (linha 23) do governante, mencionados nas linhas seguintes do texto.
A despeito dos fatos relatados no texto, observa-se algum otimismo com relação ao futuro do País no que diz respeito à emancipação da escravatura.
No 13º parágrafo do texto – “Não protesteis! (...) do trono?” (linhas de 38 a 45) –, o autor do texto evidencia o caráter impermanente da emancipação, que ora é tratada como “tão urgente” (linha 39) e como “necessidade capital do País” (linha 41), ora é considerada como “tão secundária, tão indiferente, tão remota” (linhas 43 e 44).
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